segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Esse circo chamado eleições

Lamentavelmente podemos dizer que essa ultima eleição foi, e está sendo, um desastre. Um desastre para nós eleitores, para a mídia que decai cada vez mais e para o futuro do nosso país. Todos querem saber qual será o resultado de toda a palhaçada. Palhaçada essa que põem em jogo os próximos 4 anos de governo federal.
                No primeiro turno, dos 136.004.825 milhões de eleitores, dois em cada três não votaram, isso significa cerca de 18% ou 24,6 milhões de cidadãos. Eu disse 24,6 milhões de pessoas. É um número assustador, muito assustador. Isso sem contar dos 3 milhões que votaram branco e dos 6 milhões que votaram nulo. No total aproximadamente 33 milhões de pessoal que abdicaram ao seu direito de votar. Como justificar a ausência de tantos para decidir o futuro do seu país? Talvez a resposta não seja tão difícil de ser encontrada.
                Não nos fartamos de propostas descentes e candidatos que nos passem confiança de que poderão governar o Brasil para que ele possa continuar crescendo e se desenvolvendo, evitando ao máximo corrupção e outros problemas que são difíceis de serem evitados. Mas, trocando em miúdos, boa parte da população não se sente segura em colocar o país nas mãos dessas pessoas, não consegui adjetivo melhor para descrevê-las, inclusive eu.
                Por isso mesmo é que nos encaminhamos para o segundo turno, que vem mostrando os outros lados cesse circo chamado eleições. Agora, com a apresentação principal dos dois maiores palhaços da última rodada. E eles até que são engraçados. Mas, episódios novamente lamentáveis ocorreram nessa ultima semana, divergindo de nós o sonho de paz e não à violência que tanto almejamos e assim nos perguntamos “E agora, quem poderá nos salvar?”. Eu mesma não sei, e é por isso que infelizmente não vou exercitar o meu papel de jovem cidadã e não votarei no segundo turno, como não votei no primeiro.
                Dando nome aos bois ou se achar melhor, encaixando as carapuças, José Serra, pode até ter sido um governador razoável - não posso falar muito, já que não sou de São Paulo e nunca presenciei nenhum de seus mandatos - mas sinceramente, quem a credita que ele fará todas de suas poucas propostas? Quem acredita que ele vai passar o salário mínimo para R$600,00? Suas propagandas eleitorais são claramente gravações e ele não tem carisma nenhum com o povo. Afinal de contas, a maior parte do público eleitoral, é o povo, a massa, a classe média baixa a classe baixa, aqueles que ainda vendem seu voto por um saco de cimento ou por uma cesta básica, e Zé, como prefere ser chamado por essas camadas, passa a imagem de um intelectual burguês, como FHC.
Já Dilma, se eleita, será a primeira presidente mulher a governar o país. Que progresso não é mesmo? Uma mulher na presidência. É, talvez não. Dizem as más línguas que continuaremos sendo governados por um homem. Atrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher. Mas nesse caso, seria ao contrario, se é que podemos nos referir a Lula e Dilma, como um grande homem e uma grande mulher. Nele, temos o herói dos pobres, aquele que salvou o nordeste, e que revolucionou a relação com os outros países do mundo. Nela, temos uma carranca que vem tentando ser desfeita ao longo da candidatura á presidência. Não critico Lula por seus feitos presidenciais, aliás, afirmo que nesses oito anos, demos um grande salto em vários quesitos. Mas, ao longo desses mesmos oito anos, presenciamos inúmeros casos hipócritas e que escondem vergonhosas verdades. Outras más línguas dizem que Dilma está usando Lula para se promover e que, quando eleita, exercerá seu papel de mulher imponente e não deixará Lula colocar nenhum de seus nove dedos no seu governo. Segundo as pesquisas sobre a corrida eleitoral, a diferença não é grande, mas Dilma segue na frente. Isso significa que ela está conseguindo.
Feita a análise dos quase dois meses aturando propaganda gratuita eleitoral na televisão aberta (infelizmente não possuo tevê à cabo), alto falantes o dia todo anunciando fulano de tal como candidato e o principal assunto das pessoas serem as eleições, podemos afirmar que vamos de mal a pior. Se ao menos pudéssemos nos recostar no consolo de ter um deles menos desprezível. Porque afinal, todo mundo tem qualidades, e se eles chegaram até o segundo turno de uma eleição presidencial, significa que eles não são de tudo tão ruins assim. Então, só nos resta esperar o resultado no dia 31 de outubro e torcer para que possamos nos surpreender com o candidato eleito.





Júlia Freire, 25 de Outubro de 2010